ARTE INUMERÁVEL - Arte para todo tipo de Público.
Blog sobre críticas, divulgações, informações, comentários aos inumeráveis tipos de artes e seus artistas. Formas lúdicas de expressão e opiniões sobre diversos assuntos. Ocasionalmente diferentes opiniões sobre o mesmo assunto.
Aqueles que gostam da Sétima Arte terão uma oportunidade para fazer Cinema. A Cinemateca de Curitiba vai abrir inscrições para o Curso Prático de Cinema Digital para Iniciantes. Com vagas limitadas e aulas nos finais de semana (das 9h às 12h e das 14h às 18h), o curso terá carga horária de 194 horas. As aulas serão realizadas de 16 de junho a 26 de agosto.
Os tópicos abordados serão:
História e Teoria do Cinema
Roteiro
Desenvolvimento de roteiro
Direção de ficção
Direção de documentário
Fotografia
Som
Desenvolvimento de roteiro (final)
Produção
Edição
Sendo que no final do curso será realizado um filme de curta-metragem.
O curso é gratuito e apenas para maiores de 18 anos. Inscrições a partir de 1º a 30 de maio através do e-mail cursoscinefmc@gmail.com. Mais informações no site www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br. O resultado estará disponível no site da FCC a partir do dia 4 de junho.
Cinemateca de Curitiba
Rua Carlos Cavalcanti, 1.174, São Francisco, Centro
Um homem sobe ao topo de um prédio e ameaça se jogar. Um policial, que acaba de descobrir a traição da esposa, é designado para evitar a tentativa de suicídio. Esta é a premissa de The Ledge, filme escrito e dirigido por Matthew Chapman, diretor de poucos e inexpressivos longas. Até agora.
Já de início, Chapman deixa claro que há algo errado. Há algo a ser contado, além das misérias e infortúnios comuns que assolam a maioria dos potenciais suicidas. A história é bem desenvolvida e a narrativa intercalada entre o dilema de Gavis (Charlie Hunnam), o homem atormentado, e os problemas pessoais de Hollis (Terrence Howard), o detetive, consegue prender a atenção do telespectador até o final.
Há boas sacadas no filme, como a “receita” descoberta por Gavis para conquistar uma mulher compromissada. O primeiro contato de Gavis e seu room-partner com o casal Harris, Joe (Patrick Wilson) e Shana (Liv Tyler), é genial. A trama é amarrada com detalhes e permeada com diálogos e debates contundentes e inteligentes, seja entre Joe e Gavis, Gavis e Shana, ou mesmo entre Hollis e Gavis. A trilha sonora transforma o clima dramático em um thriller cujo desenrolar acompanhamos envoltos.
O destaque da película é a abordagem entre os dois extremos de uma escala: o ateísmo e o fundamentalismo cristão. Entretanto, não justifica tantas polêmicas (especialmente com a imprensa e algumas igrejas) ao seu redor. É o ponto de vista expresso do autor e defensor da filosofia ateísta de seu real tataravô, Charles Darwin (curiosa coincidência). Chapman é claro e objetivo: há um herói ateu e um vilão cristão. Talvez esta seja a grande polêmica: o simples fato de "defender" o ateísmo e discutir a fé. Como ateu convicto, não entendo o porquê de tantos “não-me-toques” que a religião invoca, sendo um reles tema propício ao debate como outro qualquer. Mas talvez o próprio Gavis tenha explicado bem no filme: “Why, after thousands of years of bloodshed, didn´t we at least try to do away with this insane concept of faith before it fucking kill us?”. Se um simples filme como este já polemiza, temo que o protagonista esteja absorto em razão.
Hunnman é a surpresa da película, conduzindo com carisma uma personagem normalmente “crucificada” pela maioria dos religiosos: o ateu. Wilson, como o fanático religioso Joe, e Tyler, como a recatada e submissa esposa Shana, estão igualmente ótimos. Howard, completando o quarteto principal e mesmo sem muito espaço, transparece bem os tormentos que está vivenciando. As personagens são desenvolvidas e sólidas, mesmo sendo estereotipadas.
De fato, The Ledge pode marcar uma enorme revira-volta na carreira de Chapman. Apesar de ter sido abalroado nas críticas especializadas, ele produz um thriller eficiente, com questões profundas e incisivas sobre nossas crenças, sejam religiosas, conjugais ou sociais. É um filme indispensável para aqueles que sabem lidar e aceitar as diferenças do outro e gostam de refletir sobre a vida e suas escolhas. Enfim, The Ledge proporciona diversão de várias maneiras, sejam descompromissadas, sejam filosóficas. Graças a Deus. Ou não.
Um dos maiores problemas de Hollywood nos últimos anos é o de tentar emplacar um épico como grande sucesso de crítica e bilheteria. Troy (Tróia, 2004) Alexander (Alexandre, 2004), Kingdom Of Heaven (Cruzada, 2005), Immortals (Imortais, 2011), etc., são exemplos de alguns dos últimos fracassos do gênero. Dessa vez, portanto, a culpa não é de Hollywood. Black Gold é uma produção de França, Itália, Tunísia e Catar, baseado no livro do suíço Hans Reusch, South Of The Heart, de 1957. Porém, como seus colegas ianques, Jean-Jacques Annaud peca ao tentar fazer um épico com cara de blockbuster.
A película conta a história de dois líderes que travam uma trégua, após uma guerra pela faixa de terra desértica conhecida como Cinturão Amarelo. Pela trégua, Ammar (Mark Strong), sultão do lado perdedor, é obrigado a entregar seus dois filhos para Nesib (Antonio Banderas), sultão vencedor, como garantia de manutenção da paz. Quando estrangeiros descobrem petróleo no terreno neutro, um novo embate entre Nesib e Amar se faz iminente. Caberá então a Auda (Tahar Rahim), o filho caçula de Ammar, a escolha entre o coração da sua amada e filha de Nesib, Leyla (Freida Pinto), e liderar seu povo, ao lado de seu pai.
A história é fictícia: nem os povos, nem a região, nem as personagens de fato existiram. Entretanto, Annaud tenta trazer realidade ao público. Mas falha muito feio. Falha porque fica realmente difícil acreditar na abordagem simplória ao redor de tema tão complexo e estratégico, como o petróleo. E falha de novo ao abordar a política teocrática de um estado conservador. Por exemplo, quando Auda chega ao seu lar, encontra Amar, seu pai, cercado por conselheiros religiosos e fanáticos. De uma hora para outra, Amar começa a tomar as decisões sozinho, e o filme ignora completamente os aparentemente poderosos e influentes conselheiros pré-apresentados. Fica uma sensação de que Annaud não sabia lidar com o tema e decidiu abandoná-lo ao longo do filme. Outra coisa que me incomodou bastante foi o clima politicamente correto, forçado e excessivo.
Mas Black Gold tem seus méritos. Annaud deixa precisamente claro o embate entre o liberalismo e o conservadorismo. De um lado, Nehib, um ditador progressista (como se pode ver pela sua declaração: “Idiot! I decide who is an infidel!” e pelo uso que faz do dinheiro derivado da extração do ouro negro), e, do outro, Ammar, um líder teocrata e conservador. A produção tenta tapar a superficialidade da história com uma bela fotografia e produção suntuosa. Faz isso com muito êxito; após alguns tropeços iniciais, o filme consegue captar o telespectador e finalmente trazê-lo para o meio do deserto. O pouco uso de CGI é uma façanha nos dias de hoje e escolha mais que acertada. As cenas de batalha são bem feitas, intensas e emocionantes. Aplausos para o foco estratégico que permeia toda a guerra.
Além disso, Annaud conduz bem o dilema interno de Auda, entre sua amada e sua família. O desenvolvimento da personagem principal é um dos destaques, com Rahim interpretando um tímido e inapto jovem que amadurece e por fim se torna um líder respeitado. Strong, apesar de parecer meio engessado, cumpre bem seu papel. Pinto, porém, encontra-se dramática demais. Mas o destaque negativo é (por incrível que pareça) Banderas, numa atuação caricata e que não faz jus à sua carreira. Com um ar excessivamente canastrão, mais parece um cafetão que o líder político e sensato de um povo.
A trilha sonora possui seus altos e baixos. De início, é arrastada e melodramática demais, especialmente nas cenas entre Auda e Leyla. No entanto, engrena ao longo do filme, acompanhando bem as batalhas e por vezes tecendo comparações à Lawrence Of Arabia (Lawrence Da Arábia, 1962).
No geral, Black Gold é uma película que vale a sessão, graças ao esmero de Annaud e de sua produção. Apesar dos seus defeitos, diverte e causa impacto. Não é um épico inesquecível, porém, em comparação aos outros exemplos recentes e citados anteriormente, pode-se dizer que ainda há uma chama de esperança para o gênero. Só espero que haja mais combustível além deste ouro negro para mantê-la acesa.
Nesta obra Will Eisner fala da importância de se conseguir ler as imagens sem palavras.
Alguns tópicos interessantes:
Ensina como passar idéia de tempo através de imagens: sol, lua e relógio.
Como a mudança de tempo pode realçar uma emoção.
Como utilizar tipode de balões e fontes.
Exemplos de como utilizar pia e o pavio par darem idéia de tempo.
Tamanho dos quadros:
-estreitos: atormentado/pânico/celebração(iguais)
-maior: pausa na cadência
Fazer quadrinhos é decompor seguimentos sequenciados.
Leitura ocidental é da esquerda para direita e de cima para baixo. Z
Os quadros contém a visão (aberto/ilimitado)
Sinuoso lembra passado.
Divisão de requadros dão noções de movimento.
Rompenddo limites: ação desenfreada.
Confinamento ou nuvém: pensamento ou lembrança.
Requadro estrutural: Cenário da História. (ex. portas, janelas, furos em telhados, vão de árvores, olhos).
Quadros menores ação completa.
Cabeça isolada (página ilimitada)
Quadros 3D - perspectiva.
Corpo Fala através dos movimentos.
Escritor dirige a imaginação do leitor.
Artista imagina-se pelo leitor.
Roman Polanski é um dos melhores diretores da atualidade. A maioria de seus filmes, fortes e por muitas vezes polêmicos, baseiam-se na expressão da verdadeira natureza humana. Polêmicos não por serem viscerais ou chocantes, mas por tratarem de temas não muito convencionais, como sexualidade e perversões, em Bitter Moon (Lua De Fel, 1992), ditadura e vingança, em Death And The Maiden (A Morte E A Donzela, 1994), etc. Carnage, sua mais nova obra, não é diferente.
A película conta a história de dois casais, que se encontram para resolver pacificamente uma agressão que ocorreu entre seus filhos, consequência de bullying. A discussão, porém, foge do controle, revelando as verdadeiras faces dos casais Cowman, Nancy (Kate Winslet) e Alan (Christoph Waltz), e Longstreet, Penelope (Jodie Foster) e Michael (John C. Reilly).
Um tema simples e monótono. Diria até chato. Mas, calma, é um filme de Polanski. Carnage, como qualquer de seus outros filmes, é genial. Praticamente toda a película se passa em apenas um ambiente: o apartamento do casal Longstreet, pais do menino-vítima da agressão (e cometedor do bullying). Em um dos primeiros desacordos entre os casais (“armed with” a stick ou “carrying” a stick?), já percebe-se que a conversa não irá acabar nada bem. O curioso é que Polanski tenta ludibriar o telespectador a cada momento, sugerindo um final para a discussão sem maiores consequências. Porém, a cada palavra, a cada frase, cada personagem vai se despindo dos valores politicamente corretos que somos obrigados a aceitar para viver em sociedade.
É isso que Carnage é: uma sátira à sociedade norte-americana e seu estilo de vida. E isto também serve para todos os povos americanizados, inclusive o brasileiro. Polanski nos prova que basta pisar em nosso calo para nos rendermos à natureza mais primitiva e animalesca. Toda a “civilidade” da qual os ocidentais se gabam vai por água abaixo. A postura defensiva de cada personagem mostra que, como o próprio Alan (na minha opinião o mais sensato e menos hipócrita dos quatro) deixa claro, ninguém ali está preocupado com o que realmente aconteceu (chega-se ao ponto de discutir até o abandono de um hamster!). Esquece-se como tudo começou; agora, trata-se de uma questão de honra, de orgulho, de se defender dos ataques disparados contra seus valores (hipócritas ou não). É curioso (e ao mesmo tempo assustador!) descobrir como somos racionais e simultaneamente tão fúteis e mesquinhos.
O quarteto protagonista está perfeito e envolvente: dramático e hilário ao mesmo tempo. God Of Carnage, peça teatral de sucesso de Yasmina Reza (que também escreveu o filme), baseia-se nas quatro personagens principais. No filme, eles também são o pilar (sim, os quatro estão tão bem entrosados que conseguem formar um único pilar!) e não apenas a sustentam, como elevam o telespectador a aplaudir no término da sessão, tal qual um ato cênico.
O modo de iniciar e terminar a película é sensacional. As cenas, sem sequer uma fala e durante os créditos iniciais e finais, explicam por si só o estopim e o fim do evento causal. Isso é Sétima Arte! Mais uma vez, ponto para Polanski! Entretanto, há um grande defeito no filme: a curtíssima duração. Quando estamos plenamente envolvidos, o fim nos pega de surpresa. Uma supresa não muito boa, já que nos divertíamos tanto com os diálogos vorazes, o humor negro e o sarcasmo do quarteto.
Assim, Carnage é verborragia inteligente e soberba sobre os valores arraigados nos imos do nosso ser. Se alguém subitamente nos chamasse de hipócritas, provavelmente reagiríamos violentamente, oral ou fisicamente, tal qual uma das personagens do filme. A genialidade de Polanski é tamanha que ele faz exatamente isso com o telespectador, porém de maneira sutil e bem-humorada. E ainda sai aplaudido e reverenciado. Enfim, em Carnage, Polanski realiza uma ode à hipocrisia e nos prova o quão infantis (no sentido perverso da palavra) somos.
The Grey narra a história de sete sobreviventes de um acidente aéreo no Alasca, enquanto enfrentam uma nova ameaça: uma alcatéia faminta. Uma premissa interessante, especialmente para um suspense, coisa que Joe Carnahan, cineasta inexpressivo, não soube explorar bem, confuso entre o suspense e o drama.
Na primeira metade do filme, o ritmo flui bem, com uma atmosfera lupina ameaçadora, apesar das inserções desnecessárias de flashbacks mela-cuecas e repetitivos para tentar montar um background. Já na segunda metade, tudo piora: o melodrama e a interação entre o grupo de sobreviventes descamba para discussões fúteis sobre seus passados, religião, crises existencialistas... Os lobos parecem esquecidos e a ambientação inóspita se torna a principal ameaça. Bah, cadê o filme que comecei a assistir? Pra quê isso, e não apenas se limitar a construir um filme de suspense mais eficiente? Carnahan parece perdido, sem saber se tenta criar um thriller ou conduzir um filme mais profundo. De fato, os lobos são intimidadores e o clima de suspense ao redor dos incursões existe, mesmo que deficiente (em muitos cenas, a tensão é preterida em favor do susto).
O grande destaque da película é a fotografia. Paisagens de tirar o fôlego são captadas de maneira a fazer o telespectador tremer de frio. A implacabilidade da natureza está sempre ao redor das personagens de maneira incisiva. Elas não pertencem àquele lugar, e a luta contra a alcatéia se transforma rapidamente em uma luta contra a natureza, em que o grupo usa as armas que ela própria lhes deu: adaptação e inteligência. Ao mesmo tempo em que podemos ser fortes e resistir à queda de um avião, Carnahan nos mostra a fragilidade do ser humano, onde podemos sucumbir a uma torsão de tornozelo ou à falta de oxigenação em terras de elevada altitude.
Liam Neeson encarna Ottway, uma personagem genérica que ultimamente está acostumado a interpretar. Não compromete, mas também não adiciona nada. As personagens são pobremente desenvolvidas, com comportamentos paradoxais às suas histórias pessoais (superficiais e, por vezes, inexistentes). Por exemplo, partindo de um protagonista potencialmente suicida, esperamos ao longo do filme um motivo que de fato mude suas intenções e justifique seu forte instinto de sobrevivência. Esperamos em vão. Assim, fica um pouco difícil se solidarizar com os desafios que o protagonista enfrenta, com sua repentina e inverossímil mudança de comportamento e feroz vontade de sobreviver.
Os estereótipos de filmes de grupos que tentam enfrentar alguma ameaça se fazem presentes, de maneira incômoda e chata. Há o engraçadinho e falastrão, o medroso e questionador, o submisso e solidário, o líder politicamente correto, etc. Os clichês também estão lá, desmascarando a imprevisibilidade que poderia tornar o filme bem mais interessante. Apesar disso, gostei bastante do final, mas não irei comentar aqui para evitar spoilers.
Enfim, acredito que The Grey agrade aqueles que buscam um entretenimento despretensioso num suspense vazio e que não se tenha de botar a cabeça pra funcionar muito. Não há nada de novo, e a fórmula batida é tão descarada que chega a incomodar: parece que já assistimos isso antes, umas trocentas vezes. Mas aí está o mérito de Calahan: com estes elementos que afundariam qualquer película, ele consegue elevá-la a um nível mediano. Só espero que seu próximo projeto não seja Um Lobisomem Irlandês No Alasca.